sexta-feira, 6 de abril de 2012

Normas da Igreja

PADRINHOS E MADRINHAS: COMO DEVEM SER?

* Dom Hilário Moser, SDB

A primeira “escola da fé” para as crianças, os adolescentes e os jovens deveria ser a própria família, e os pais, seus primeiros “catequistas”. Quando a fé é semeada e cultivada nos corações dos filhos pequenos é quase certo de que, na idade adulta, eles seguirão o caminho do Evangelho.
Infelizmente não é o que acontece em grande número de casos: pais despreparados, famílias desestruturadas ou sem formação cristã e sem participação na vida da Igreja fazem com que os filhos cresçam alheios à fé e à prática religiosa.
A fé recebida no batismo e confirmada na crisma deve ser cultivada, cuidada, fortalecida, caso contrário, ela arrefece e, às vezes, acaba morrendo. São tantos os casos… Já é difícil os pais cumprirem essa missão evangelizadora para com os próprios filhos; imagine quando não a cumprem…
Tenha presente também que evangelizar os filhos não significa somente “ensinar-lhes” os conteúdos doutrinais da fé (aprender o catecismo). A evangelização, de modo especial, consiste no exemplo dos pais e da família, na vivência da fé em casa, na participação da vida da comunidade eclesial, na catequese, na recepção dos sacramentos da Igreja… Onde, porém, encontramos hoje famílias assim? Não é que não existam, mas são poucas.
É aqui que deveriam entrar em ação os padrinhos e madrinhas do batismo e da crisma. Eles têm dupla missão: quando a família existe de fato e cumpre seu papel cristão cabe aos parinhos e madrinhas ajudar os pais e familiares dos seus afilhados a educá-los na fé; quando, porém, a família falha ou não tem condições cabe aos padrinhos e madrinhas substituir os pais e familiares para educar seus afilhados na fé.
Se esta é a missão, como devem ser os padrinhos e madrinhas? É preciso que sejam bons cristãos, pessoas que dão testemunho de seguir o Evangelho de Jesus, gente que vive a própria fé, que participa da vida da Igreja, que se aproxima dos sacramentos, que aprecia a oração, que tem uma vida familiar de acordo com a Palavra de Deus.
Por aí você vê que ser padrinho ou madrinha não é questão de ser parente, amigo, vizinho ou pessoa a quem se deve algum favor. É preciso pôr-se desde o ponto de vista da Fé e tomar consciência de que os padrinhos e as madrinhas existem para ajudar os afilhados a crescer na fé, a amadurecer na fé. Ora, como isso pode acontecer, se os padrinhos e as madrinhas não tiverem fé, seguirem outra religião, viverem vida familiar não correspondente à Palavra de Deus, não participarem da vida da Igreja, andarem longe do Evangelho e do próprio Deus?
Você é padrinho, você é madrinha? Saiba que tem, diante de Deus e da Igreja, primeiro, a responsabilidade de procurar levar uma vida segundo o Evangelho e, depois, a missão de ajudar ou substituir os pais na educação da fé do seu afilhado ou da sua afilhada. É assim que a Igreja pensa a respeito dos padrinhos e madrinhas. Se não for assim, não tem sentido ser padrinho ou madrinha.
É útil também recordar o que a lei da Igreja estabelece a respeito dos padrinhos e madrinhas do batismo e da crisma: que eles tenham completado 16 anos, sejam católicos, crismados e já tenham feito a Primeira Comunhão. “Quem é batizado e pertence a uma comunidade eclesial não-católica só seja admitido junto com um padrinho católico, e apenas como testemunha do batismo” (Código de Direito Canônico, c.874,§ 2).
Por fim, note que os assim chamados padrinhos e madrinhas do casamento não são de fato padrinhos e madrinhas, mas simples “testemunhas”: terminado o casamento, eles não tem mais nenhuma função a desempenhar.
Conheço muito bem as dificuldades práticas que os párocos encontram nessa matéria. Há casos difíceis de resolver a fim de evitar que as pessoas acabem se afastando ainda mais da Igreja e do próprio Evangelho. Por outro lado, não há dúvida de que é fundamental investir sempre mais numa catequese adequada e estimular os católicos a viverem com coerência a vida cristã.

*Dom Hilário Moser, SDB, é bispo emérito da Diocese de Tubarão (SC). Doutor em Teologia Dogmática pela Pontificia Università Salesiana, de Roma, lecionou por vários anos no Instituto Teológico Pio XI, de São Paulo. Foi membro da Comisão Episcopal de doutrina da CNBB.

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